Encontro lésbico: como as mulheres homos se organizam?

Robyn Exton, uma empreendedora americana de 29 anos, aproveitou a Parada do Orgulho Parisiense para lançar a versão francesa de seu aplicativo de encontros queer, “Her”. O desejo de preencher o vazio eterno deixado no universo dos encontros femininos. Mas não isso. Nós a encontramos em Paris.

No dia em que conhecemos Robyn Exton, fundadora do aplicativo “Her”, suas mãos estão pintadas nas cores da bandeira do arco-íris, “porque é o mês do orgulho”. A pulseira em seu relógio necessariamente mostra as mesmas cores, “mas isso, ao contrário da pintura, é o ano todo”, nos faz rir.

“Brenda, chega disso!

” Seu aplicativo, cuja versão beta foi criada em 2013, nasceu da frustração. Para ela, era “quase uma questão de necessidade”. Quando tinha cerca de 20 anos, essa canadense londrina… estudante de geografia, adora ir a festas em East London. Desejando conhecer novas pessoas, acaba navegando em sites de encontros femininos, antes de baixar aplicativos “como Brenda” (agora Wappa, nr.). A declaração é amarga: nada é feito para garotas como ela.

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“Eu não conseguia acreditar que nada, absolutamente nada, tinha sido feito para mulheres que amam mulheres. O design e a interface de todos esses sites eram ultrapassados, dignos dos anos 1990. Eles não eram de forma alguma representativos de toda a comunidade à qual pertenço. Eu pensei em fazer algo, porque Brenda, chega disso!

” Um choque que desencadeou tudo

A futura empreendedora é inicialmente recrutada por um amigo em uma agência de publicidade, “um golpe do destino”, segundo ela, já que a empresa tem vários sites para encontrar seus clientes. Em 2012, uma de suas amigas lésbicas terminou um relacionamento. Robyn a ajuda a se inscrever em sites de encontros “para que ela possa mudar de ideia”. Mau conselho:

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“Ela ficou ainda mais deprimida! Foi constrangedor, até humilhante, perceber que nenhum pedido foi feito para ela.”

Um choque para a mulher em uma posição confortável. Então Robyn decide mudar sua vida da noite para o dia. Certa de seu conceito, ela deixa seu emprego, volta para a casa do pai, faz cursos à noite para aprender a programar… e começa a criar “Dattch”, a versão beta de “Her”. Um aplicativo inspirado 100% no Grindr, a referência para homens gays. “Era um aplicativo de encontros puro, e eu acho que na época eu não sabia o quanto o Grindr era oposto a essa lógica em termos de sites de encontros. Então, inevitavelmente, não funcionou.”

Várias operações do Grindr

Exilado em San Francisco, o empreendedor londrino passa de incubadora em incubadora, de lançamentos em lançamentos, até encontrar seu aplicativo ideal. “O seu” nasceu em fevereiro de 2015, graças aos 2,5 milhões de dólares arrecadados por seu fundador. Uma interface sóbria, um design elegante, o aplicativo não se destina mais apenas a “mulheres que amam mulheres”. Lésbicas, bissexuais, trans, pansexuais, mas também não-binários, gênero A… o aplicativo abrange um total de 18 orientações sexuais possíveis e 23 identidades de gênero. O objetivo é LBT e claramente queer. Crédito da foto: HE. Entre as características, encontramos o tradicional “swipe”: movimento para a esquerda (para marcar desinteresse), para a direita (para curtir), uma espécie de must-have para qualquer aplicativo de encontros que se preze. Mas a coisa mais importante para a empreendedora era atender a todas as expectativas.

“Algumas pessoas querem fazer amigos, outras buscam encontros casuais ou um grande amor. As garotas querem ver, elas querem ler, então proibimos o perfil com a foto única como no Grindr. Elas foram autorizadas a colocar várias fotos, mas também a se descrever por escrito.”

Ao concluir que as expectativas das mulheres e dos homens que saem eram muito diferentes, Robyn Exton comparou o uso de “Her” ao de “Grindr”. “Os homens enviam em média 5,6 mensagens antes do encontro, as mulheres 173”, diz ela. Dois níveis de interação, completamente opostos, que fazem com que a jovem empreendedora afirme que sua candidatura funcionará em países como a França, onde tantos outros falharam. Ela anuncia orgulhosamente que já conquistou 55 e conta com três milhões de usuários em todo o mundo. Crédito da foto: captura de tela do site HER.

Formar uma comunidade

Criar um espaço seguro, onde todas as pessoas que se identificam como mulheres se sintam confiantes e apoiadas, é também o desafio da fundadora. “Antes, as interações eram mais individuais. Eu acho que hoje, mais do que nunca, precisamos de espaços comunitários. Movimentos como “Black Lives Matter” ou “MeToo” nos fizeram perceber que quando as pessoas se reúnem, elas têm mais força, mais impacto na sociedade. Elas se tornam visíveis.” Crédito da foto: Captura de tela da conta do Facebook da HER Party NYC. Criar um espaço seguro na internet foi, afinal, apenas o começo. Há alguns anos, essa festa desenvolveu um conceito de eventos, uma espécie de extensão do aplicativo na vida real. Hoje, 16 cidades nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Grã-Bretanha são palco de eventos patrocinados pelo aplicativo. “Acabamos de bater nosso recorde de público! Reunimos 1.200 garotas na última noite em Nova York para o Pride. Uma loucura pura”, hesita. Na Austrália, “Her” também organiza um fim de semana de camping com garotas queer. Seu próximo projeto para a França? Crédito da foto: RobyNexton.

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